
Mercúrio sofre as maiores variações de temperatura do sistema solar. Isso se deve a dois fatores: sua proximidade com o Sol e a quase total ausência de atmosfera para regular o calor. O lado exposto ao Sol, onde é dia eterno, pode atingir temperaturas escaldantes de cerca de 430°C, suficientes para derreter chumbo. Ao mesmo tempo, o lado mergulhado na noite eterna vê o termômetro cair para -180°C. Nenhum outro planeta apresenta um contraste térmico tão violento entre seus lados diurno e noturno.
Apesar de sua fornalha equatorial, uma descoberta surpreendente foi feita pela missão Messenger: a existência de gelo de água e outras matérias orgânicas congeladas nas crateras dos polos de Mercúrio. O fundo dessas crateras, localizadas nos polos Norte e Sul, está permanentemente na sombra dos raios do Sol. Essas armadilhas frias agem como congeladores cósmicos, preservando voláteis que se vaporizariam instantaneamente em outros lugares do planeta. Essa descoberta faz de Mercúrio um membro surpreendente da família dos mundos gelados.
A órbita de Mercúrio é a mais excêntrica (mais alongada) de todos os planetas do sistema solar. Sua distância ao Sol varia enormemente, de 46 milhões de quilômetros no ponto mais próximo (periélio) a 70 milhões de quilômetros no ponto mais distante (afélio). Essa alta excentricidade, combinada com sua rotação lenta, cria um fenômeno fascinante: uma ressonância spin-órbita de 3:2. Isso significa que o planeta gira três vezes sobre si mesmo para cada duas órbitas ao redor do Sol. Como resultado, um dia solar em Mercúrio (de um nascer do sol ao outro) dura o equivalente a 176 dias terrestres, ou seja, duas vezes mais que seu ano de 88 dias.
Mercúrio nunca se afasta mais de 27 graus do Sol (este é o ângulo dos ponteiros de um relógio quando é uma hora). Saiba mais.
N.B.: A definição oficial de um planeta (desde 2006) exige que ele esteja em órbita ao redor do Sol, tenha uma forma esférica graças à sua própria gravidade e tenha "limpado" sua órbita.